segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Adeus, Mangueira

Hoje, conversando com meu avô, não notei a leveza costumeira de sua voz.
- "Minha filha, quando eu plantei era só uma semente, há 47 anos atrás. Vieram hoje, cortaram nosso pé de manga."
Desliguei o telefone e foi inevitável voltar no tempo. Aquela mangueira embalou muitas fantasias de criança. Emprestou sua sombra pra que eu recostasse aos seus pés e pudesse sonhar. Ofereceu seu fruto, que pra mim sempre teve gosto de tarde de sol, de avô e neta sentados na escada, de escolher a manga mais bonita no galho mais alto, de esperar chegar Novembro e ver as flores se transformando.

Não há lembranças em que ela não esteja presente, cercando os pés que em seu torno corriam, as meninas que a sua volta brincavam, as tristezas e alegrias que vieram. Agora ela deu lugar pra um mar de sol que entrou pelo quintal.
E o que fica é a vontade de ficar descalça e deitar à sua sombra só mais uma vez.