Talvez pela fuga, talvez pelos últimos dias, talvez por esse tempo de chuva, eu hoje eu acordei querendo falar de você. Querendo abrir o verbo e escancarar, como de costume.
Quero falar do meu pé, que depois desse carnaval tá mais cansado do que nunca, e que eu acho que um chinelo velho ia bem agora.
Quero contar do acaso, que te pôs no meu caminho e vive brincando com a gente.
Quero contar da minha falta de juízo, e das incontáveis vezes que te vi no meio daquela multidão, e eu até esfregava os olhos pra enxergar melhor da minha miopia burra, até que eu te achei de verdade, por acaso.
Quero contar que eu sinto um "trem ruim" quando você sai assim de repente, e não avisa se tem amanhã, e quero dizer que é por isso que eu tenho medo de você, por que as vezes você me faz desaprender a deixar o amanhã pra lá, e é por isso que eu sumo sem querer sumir, e é por isso que eu penso que as vezes você some quando na verdade você não sumiu nada, por que aí você aparece, por acaso.
E eu quero falar que conhecer você trouxe leveza, e que eu ainda tô aprendendo sobre esse negócio de ser leve, e você tem sido importante.
E a última coisa que eu quero falar é que eu acho que a gente se parece até fisicamente, e que eu sei que o seu signo e o meu são o paraíso um do outro lá no mundo astral que você desconhece.
E que nada disso tem muito valor se a gente não acreditar.