As lições mais práticas da educação que recebi do meu pai sempre surgiram do "não".
Lembro que, quando criança, diante qualquer coisa que me era negada, eu usava da maior arma que uma criança possui: eu chorava. Chorava copiosamente. E me lembro do meu pai, sempre carinhoso e seguro, se abaixando pra falar com meu meio metro de crise existencial: "Érica, nada de drama, filha. Vamos conversar." E ele me conduzia à um bate papo, me fazendo enxergar por mim mesma o porquê do "não".
Eu não sabia, mas nesses momentos meu pai me treinava pra ser gente.
Treinava meu equilíbrio emocional, minha capacidade de argumentação, minha coerência, meu embasamento para o "não-conformismo".
Hoje, quando me deparo com certas dificuldades, vejo claramente que meu pai, nesses momentos, me deixava a maior das minhas heranças.