quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Vídeo G(ame)

Eu acho engraçada essa relação masculina com o videogame. Aquele aparelho tem um significado fora do comum na vida de 9 entre 10 homens. Outro dia uma amiga contou que ela e o namorado foram viajar e, antes de sair, o cara colocou o XBox no banco de trás, colocou o cinto (no XBox!) e eles saíram.

A real é que a maioria das mulheres não entende como pode um bando de amigos barbados passarem quatro horas seguidas jogando PlayStation3, fazendo sua própria narração (aos gritos), xingando o juiz (que não existe) e reclamando com os jogadores (que eles mesmos controlam).

E é daí que surgem a maioria das reclamações femininas: "você gosta mais de jogar do que de ficar comigo!" Bom, meninas, é simples: eu imagino que nenhum homem prefira jogar videogame a ficar com você abraçadinho vendo um filme.
Mas eu tenho certeza de que todo homem seria mais feliz se você não quisesse que esse momento fosse na hora do jogo.

Jogar, pra eles, é como assistir televisão: é um hábito. Só porque se trata de videogame, a gente tende a achar que é vício. Mas olha, eu nunca vi ninguém dizer que uma dona de casa que assiste as novelas das sete, das oito e das nove (seguidas) é uma viciada.

Pode ter certeza de que seu namorado/noivo/marido gosta mais de você do que daquela caixinha com dois controles. Mas aceite uma verdade inescapável: eles vão chegar aos quarenta anos e vão continuar fazendo campeonatos de Fifa2023 na sala com os amigos.

E se quer um conselho, colega, aí vai: não ligue pra ele na hora em que ele está jogando. Ele pode perder uma partida.

Ou até “morrer”, na fase mais difícil.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Pronto. Falei.

Relacionamento não tem receita. E se tivesse, tô certa de que ninguém seguiria. O que falta, na maioria das vezes, é entendimento, no seu mais profundo sentido. Não vou começar aqui um papo "idealista/viajante", não é a minha: é só o ponto de vista de alguém que tem mó gosto por observar. Sinto frustrá-los, mas a fonte desse texto é só a minha sábia experiência errante.

Eu já fui a maluca que liga de madrugada, já fui a carente que precisa da companhia de alguém pra ir comprar pão, já me obriguei a ser companhia quando queria ser solidão, e já fui solidão em busca incessante de companhia. Já machuquei, e fui machucada também, mais até do que eu gostaria.

Aquariana que sou, de cada coisa eu tirei um pouco do que prestou. E demorou até que eu chegasse à uma conclusão, que pode ser tão metamorfósica quanto eu.

Se alguém tiver posse desse documento, por favor, eu quero ver aonde é que está escrito que as pessoas podem ter propriedade sobre as outras. É uma insegurança eterna, que não tem cura, mas que também não tem causa.

Onde foram parar as pessoas que ainda acreditam? Que acreditam primeiro no próprio potencial, que acreditam na unidade da relação que levam? Nesse momento elas estão procurando meios de saber se "a cerveja com os amigos" era mesmo verdade.

Cadê a geração Y que é tão à frente de seu tempo e tem tanta informação disponível? Estão gastando tempo se preocupando com atualizações de status do Facebook.

Fidelidade e Lealdade são amigas de infância, sempre andam juntas pra cima e pra baixo. Como toda relação de amizade, as duas também têm suas diferenças.

Lealdade vive no coração, e quando chega, ocupa bastante espaço. Nem sempre é fácil conviver com ela. Já Fidelidade é muito querida, mas vive na cabeça, bem perto da razão, vizinha implicante.

Fidelidade ainda é menina, e anda por aí sendo julgada, sendo cobrada. Na maioria das vezes a coitadinha fica vulnerável, e acaba se perdendo.

Lealdade não, Lealdade é bem crescida. Nao é tão popular quanto Fidelidade, mas segue seus próprios caminhos. Lealdade é mais sensata em seus pontos de vista.

Eu levei tempo procurando essas duas pra tentar entender a relação maluca que elas levam. Até que, numa noite qualquer, as encontrei, sentadas perto de mim. Puxei assunto e elas vieram me contar que a vida não tem muito mistério além de ser um, por si. Ambas concordam que bom mesmo é dar alma, é mergulhar fundo, e fazer o amor crescer de não caber no peito.

Ah! Quando mencionei o Facebook, esqueci de dizer que faço parte dele. E, no dia em que criarem o status "em um relacionamento harmonioso", podem ter certeza de que eu mudo o meu. Na hora.

terça-feira, 5 de julho de 2011

sem asas

Chegou no meio da confusão
e fez sentido.
Caminhou pelos cantos cinzas,
e espalhou cor.
Entrou nos meus escuros
e trouxe luz.
Buscou cada um dos medos
e trouxe verdade.
Enxergou o coração gelado,
e trouxe calor.
Chegou quando eu já não procurava
E trouxe certeza.
Sem asas, chegou
Mas veio anjo..

terça-feira, 3 de maio de 2011

Dez

Eu lembrei do rosto.
Dez anos e eu lembrei do rosto,
mas era só.
Por que o menino deixou a barba crescer,
deixou crescerem os abismos

e não cresceu também.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

e quem procura?

Hoje eu parei pra pensar nos últimos tempos. As coisas vão acontecendo, é tudo muito intenso, e quase não sobra tempo (nem alma) pra organizar tudo.

E aí, numa tarde dessas, depois de uma análise quase Freudiana, eu cheguei à uma conclusão até ofensiva, de tão simples: eu vivo procurando. Procurando entender o que eu sou, de que sou feita e o que me move, o que tenho sido, o que nunca fui e o que busco ser.
E descobri que, nessa de procurar, eu já tenho algumas cicatrizes, várias tatuagens, um cachorro novo, e um guarda roupas e um coração que não cabem mais nada.

É como se eu me despisse de todo e qualquer julgamento e estivesse, todos os dias, experimentando viver pela primeira vez. Viver só pra provar que eu ainda sei sentir.

As pessoas continuam me indicando seus terapeutas, mas eu tenho medo de fazer terapia e perder a essência. Aí eu visto roupa e saio. Saio por aí, procurando em todo canto o que não tem nome, e que eu nunca perdi.

Eu sei que tô perto de achar: não nos lugares onde eu vou, ou nas pessoas que eu encontro. Não nos intermináveis emaranhados de pensamentos, nos livros, ou nos meus textos,

mas lá no fundo de mim.

quinta-feira, 10 de março de 2011

(a)caso

Talvez pela fuga, talvez pelos últimos dias, talvez por esse tempo de chuva, eu hoje eu acordei querendo falar de você. Querendo abrir o verbo e escancarar, como de costume.
Quero falar do meu pé, que depois desse carnaval tá mais cansado do que nunca, e que eu acho que um chinelo velho ia bem agora.
Quero contar do acaso, que te pôs no meu caminho e vive brincando com a gente.
Quero contar da minha falta de juízo, e das incontáveis vezes que te vi no meio daquela multidão, e eu até esfregava os olhos pra enxergar melhor da minha miopia burra, até que eu te achei de verdade, por acaso.
Quero contar que eu sinto um "trem ruim" quando você sai assim de repente, e não avisa se tem amanhã, e quero dizer que é por isso que eu tenho medo de você, por que as vezes você me faz desaprender a deixar o amanhã pra lá, e é por isso que eu sumo sem querer sumir, e é por isso que eu penso que as vezes você some quando na verdade você não sumiu nada, por que aí você aparece, por acaso.
E eu quero falar que conhecer você trouxe leveza, e que eu ainda tô aprendendo sobre esse negócio de ser leve, e você tem sido importante.
E a última coisa que eu quero falar é que eu acho que a gente se parece até fisicamente, e que eu sei que o seu signo e o meu são o paraíso um do outro lá no mundo astral que você desconhece.
E que nada disso tem muito valor se a gente não acreditar.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Mil

Pensei em falar do calor que tem feito, do meu dia corrido, do meu tênis que só fica desamarrado.
Pensei em falar que tô pensando em cortar o cabelo.
Pensei que talvez ele pensasse que eu não penso nele, aí pensei em falar que eu tenho pensado muito em nós. Mas pensei que não seria apropriado.
Pensei em comentar do resultado do jogo de ontem, mas lembrei que futebol não é a dele.
Pensei em dizer que eu só fico acordada pra ver ele dormir, e que eu fico pensando no que ele pensa enquanto dorme. Aí lembrei que quando a gente dorme a gente sonha, e não pensa, e aí pensei em como eu tenho dormido pouco.
Pensei em falar que eu gosto de ver quando amanhece da varanda, que eu gosto de olhar pro lado e ver o rosto dele dormindo. Aí pensei que ainda não é hora.
Pensei em perguntar se eu penso muito, mas também pensei que não.
Pensei que talvez eu não devesse, mas aí lembrei do quanto é bom.

Por fim, pensei que eu poderia - por um dia, pelo menos - parar de pensar tanto.

Mas não falei nada.

Acabei pensando, só.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Ser Aquário

Eu me amarro nessa história de signos, gosto muito. E eu tive a sorte de nascer sob um signo que, deixando de lado a parcialidade, é um dos mais interessantes do zodíaco: Aquário.

Ser de Aquário é assim: a gente vive numa montanha russa incessante, e tem o maior prazer em dar voltas e voltas sem se cansar, buscando sempre novas descobertas, novas pessoas, novos lugares, sem esquecer das raízes. Sempre voltamos pra casa.
A gente tem capacidade de se encantar e de deixar o encantamento coexistir com as pedras do caminho, separando tudo muito bem.

Temos audição seletiva. Temos déficit de atenção e somos sabidamente espertos. Somos vanguardistas e cultivamos fantasias, e mundos paralelos. Somos cheios de desejos e temos saudade daquilo que nunca vimos.

O melhor de tudo é que sempre guardamos só o que foi bom.

Ser de Aquário é assim: a gente já nasce em festa, e pra gente, quase sempre é carnaval.