sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Minha Cara


Eu não ia escrever sobre você. Mas é que a gente tem os olhos da mesmíssima cor e uma coleção de camisas xadrez, e no dia em que eu te vi pela primeira vez eu achei você esquisito, e te falei que eu bebia vodka pura, mas só em casos extremos como aquele, quando fazia muito frio.

Eu nem pensava em por você em palavras, até que um dia eu te vi de novo, e a gente se percebeu na mesma hora mas a gente não falou nada. E a gente riu, e se descobriu, e ficou de manhã, e no outro dia eu já tinha acordado com você na cabeça, mas meu coração é maluco e manda muito em mim. Aí eu te vi de novo, mas já não era você comigo. 

Eu não ia escrever sobre você, porque nem tem nome o que eu sinto. É vontade de estar perto, e de falar a toa e ficar rindo, e ouvir se você tem umas histórias engraçadas, e te contar uns casos que eu sei que você vai morrer de rir. Mas você não é só meu amigo e você sabe disso tanto quanto eu, e a gente alimenta essa história, mesmo sabendo que não dá. Agora já não sou eu com você.

Eu não ia contar que existiu um “nós dois” aqui, mas eu posso. Eu posso porque o meu coração é livre, porque eu lembro exatamente da luz que escapa da cortina e entra pela janela do seu quarto, e porque eu acho que eu combino muito mais com você do que qualquer pessoa. Sério, mesmo que a gente esteja em um lugar cheio de todos os tipos de pessoa, eu combino muito mais com você do que qualquer uma delas e ninguém  que vê a gente junto nunca cometeu o crime que seria dizer o contrário. 

Eu não ia escrever sobre você não, mas eu tenho essa mania.

Você me inspira, rapaz.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Some!


"Então, você quer sumir? Tudo bem. Perfeito. Mas some, tá? 

É admirável quando as pessoas falam que vão me esquecer e realmente me esquecem. Não me procuram mais. Não me mandam e-mail, nem cartas, nem SMS, nem mensagens telepáticas, nem me fazem surpresas ou coisas assim. E eu espero que você assine embaixo da sua escolha. 

Não esteja numa sexta-feira fria assistindo TV e me ligue com aquele papo de "eu quero te ver", "lembra de quando a gente BLABLABLA". Não encha a cara em alguma festa com mulheres piores do que eu e resolva aparecer na minha porta gritando que me quer. Seja homem, rapaz! Cumpra com a sua palavra. Vai lá. Segue o seu caminho e me deixe que eu sei me virar. Quer ver?

Você não foi o primeiro - e espero que não seja o último - a bater essa porta, cara. Desculpe te dizer, mas você não é surpreendente. Nem muito menos único. Vai embora! Lá fora há várias menininhas perfeitinhas com rostinhos de anjo que fingem que sabem gozar. Eu aposto que se você fizer meia dúzia de piadinhas, duas ou três imitações, elas cairão na sua lábia – quantas você quiser. 

Você quer liberdade? A porta tá aberta! Sempre esteve. Portas, janelas, telhados: por onde quer que você prefira ir embora, vá!

Então você junta as suas coisas que já estavam juntas. Dá umas voltas pelo quarto fingindo procurar mais alguma cueca ou chinelo ou relógio ou força de vontade pra realmente ir embora. Engole qualquer tentativa de choro, num falso gesto de quem tem coração, e abre a porta. Mesmo de costas, eu consigo ver seus olhos fechados e seus ouvidos bem atentos, esperando qualquer ruído meu que soasse como um pedido para você ficar. 

Mas sabe o que? Eu me calei faz tempo pras suas fugas infantis. 

Beijos. E não me liga."


(adaptado de "Fragmentos de um fim", do genial blog Casal Sem Vergonha)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Melhor

Tenho me surpreendido com o que o tempo é capaz de fazer. Longe de você, eu descobri que eu gosto mesmo de você. Mesmo! Mas fiz descobertas mais preciosas:

Descobri que eu gosto muito mais da maneira como eu te amei, tão bem, tão impecavelmente bem. De como eu te quis feliz, de como eu te dei, satisfeita, o meu bom coração.

Descobri o quanto eu me esforcei pra ver em você o homem que você talvez um dia ainda vai ser: eu acabei criando minha obra prima, esse "homem" imaginário que existiu só aos meus olhos e viveu somente em mim. Eu me dei esse presente, essa fantasia. 

Ir embora de você foi ir embora de uma das épocas mais viscerais da minha vida. Eu sei que os nossos caminhos tinham mesmo que ter se cruzado, mas eu precisei te deixar seguir. Eu precisei, acima de qualquer coisa, me deixar seguir. 

Do que passou eu guardo o cheiro da nuca, a foto de olhos fechados e a mania de ser otimista o tempo inteiro.

Fora isso, tenho bebido bastante água. 


E tenho me amado bem mais.

domingo, 15 de julho de 2012

Não.

As lições mais práticas da educação que recebi do meu pai sempre surgiram do "não". 


Lembro que, quando criança, diante qualquer coisa que me era negada, eu usava da maior arma que uma criança possui: eu chorava. Chorava copiosamente. E me lembro do meu pai, sempre carinhoso e seguro, se abaixando pra falar com meu meio metro de crise existencial: "Érica, nada de drama, filha. Vamos conversar." E ele me conduzia à um bate papo, me fazendo enxergar por mim mesma o porquê do "não". 

Eu não sabia, mas nesses momentos meu pai me treinava pra ser gente. 

Treinava meu equilíbrio emocional, minha capacidade de argumentação, minha coerência, meu embasamento para o "não-conformismo". 

Hoje, quando me deparo com certas dificuldades, vejo claramente que meu pai, nesses momentos, me deixava a maior das minhas heranças.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Sobre Você

Você tá aqui do meu lado agora, e eu não sei dizer como eu me sinto.

Eu custei pra ter coragem de te contar que às vezes, quando meu cabelo tá bem molhado, eu lembro daquele dia em Búzios que eu não queria dormir de cabelo molhado e você secou com carinho, paciência e a toalha.

Eu custo a compreender que nós agora estamos separados, porque mesmo separados nós dois temos essa ligação tão forte e sobrenatural , que parece coisa feita pela mão de Deus mesmo, esse Deus do rosto bonito que você me apresentou e que hoje eu conheço tão bem.

Eu demoro a dormir pensando em como é que a gente foi soltar a mão um do outro no meio do caminho, e às vezes dá um medo danado de que a gente se perca de vista no meio desse tanto de gente, nesse mundo grande e esquisito. Mas aí eu lembro que a gente se achou no meio desse mesmo tanto de gente, e que o mundo já era grande e esquisito, e aí o medo passa.

E do medo vem a saudade de quando a gente ainda conseguia entender e aceitar a razão de estarmos juntos. De quando a presença um do outro era maior que qualquer coisa, era tão infinitamente maior que as coisinhas que se uniram pra levar a gente pra onde a gente está hoje.

E eu tô com um nó na garganta que se você fosse mais observador, notaria que toda hora eu tiro os óculos e esfrego o rosto, na tentativa de simular um cansaço que na verdade é só vontade de desabar aqui, e te abraçar e te pedir pra nunca mais ir, porque cada vez que você vai é tempo que a gente perde, é risco que a gente corre de se machucar, é amanhã que a gente fica sem saber o que vai ser.

E você tá aqui curioso pra saber o que é que eu tanto escrevo.

É sobre você, meu amor. Em todos os meus textos. Mesmo antes de a gente se reconhecer.

Sempre foi sobre você. Sempre foi sobre o nosso amor.

domingo, 18 de março de 2012

Chuva

Caía um temporal. Tentávamos nos manter secos debaixo da mesma sombrinha.

"É difícil andar junto, né? Ainda mais na chuva!"

É sim, meu amor. Ainda mais na chuva.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Velha e Louca

Aniversário chegando, bate vontade de cantar parabéns todo dia, de fazer festa com bolo o mês inteiro e de agir como criança o tempo todo. Mas não posso, eu tô ficando velha.

Tô trazendo desassossego dentro da bolsa. E um par de asas, que nunca deixo.
Tô ansiosa: meu estômago e namorado têm pagado o pato. Minha energia tá dispersa, e na maioria do tempo eu fico voando por aí, alheia ao que acontece à minha volta.

Ando querendo entender demais, analisando demais. Ando ociosa.

Tô usando homeopatia pra dormir, comendo salada e não bebo mais refrigerante.

Tenho tido cada vez menos paciência pra gente que se leva a sério demais, pra música muito alta e pra sapato muito apertado.

Eu tô ficando velha..

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A dor e a delícia de ser

"Aí o cara conhece uma gata. Bonita, estilosa. Bebe tanto quanto ele. Se quiser, fuma também. Dança, gosta de sexo - e de luz acesa, faz favor! Se o cara não puder ou não quiser sair, ela sai só com as amigas. Não tem tempo ruim. Trabalha e ganha um dinheiro pra bancar suas coisas. Se estiver meio sem grana, se diverte como dá. Conversa com todo mundo, conhece muita gente.
Pois é. Falando assim, parece bem divertido ficar com uma mulher dessa. E é!
O problema, acreditem, é que grande parte dos homens não segura a onda de uma mulher assim. E aí? Aí eles namoram a Sandy, a Sandy é fácil de namorar. Ela sai, mas não dança. Ela não bebe, e se bebe, é no máximo uma Ice. Se o namorado não puder ou não quiser, ela não sai, ela fica em casa, assistindo comédia romântica. Ela transa de luz apagada, e “aí não que dói”.

Mas quer saber? Mulher independente dispensa homem covarde."

(Texto que rodou aí pela internet, e que eu livremente adaptei. E me identifiquei).