"Então, você quer sumir? Tudo bem. Perfeito. Mas some, tá?
É admirável quando as pessoas falam que vão me esquecer e realmente me esquecem. Não me procuram mais. Não me mandam e-mail, nem cartas, nem SMS, nem mensagens telepáticas, nem me fazem surpresas ou coisas assim. E eu espero que você assine embaixo da sua escolha.
Não esteja numa sexta-feira fria assistindo TV e me ligue com aquele papo de "eu quero te ver", "lembra de quando a gente BLABLABLA". Não encha a cara em alguma festa com mulheres piores do que eu e resolva aparecer na minha porta gritando que me quer. Seja homem, rapaz! Cumpra com a sua palavra. Vai lá. Segue o seu caminho e me deixe que eu sei me virar. Quer ver?
Você não foi o primeiro - e espero que não seja o último - a bater essa porta, cara. Desculpe te dizer, mas você não é surpreendente. Nem muito menos único. Vai embora! Lá fora há várias menininhas perfeitinhas com rostinhos de anjo que fingem que sabem gozar. Eu aposto que se você fizer meia dúzia de piadinhas, duas ou três imitações, elas cairão na sua lábia – quantas você quiser.
Você quer liberdade? A porta tá aberta! Sempre esteve. Portas, janelas, telhados: por onde quer que você prefira ir embora, vá!
Então você junta as suas coisas que já estavam juntas. Dá umas voltas pelo quarto fingindo procurar mais alguma cueca ou chinelo ou relógio ou força de vontade pra realmente ir embora. Engole qualquer tentativa de choro, num falso gesto de quem tem coração, e abre a porta. Mesmo de costas, eu consigo ver seus olhos fechados e seus ouvidos bem atentos, esperando qualquer ruído meu que soasse como um pedido para você ficar.
Mas sabe o que? Eu me calei faz tempo pras suas fugas infantis.
Beijos. E não me liga."
(adaptado de "Fragmentos de um fim", do genial blog Casal Sem Vergonha)
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