sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Minha Cara


Eu não ia escrever sobre você. Mas é que a gente tem os olhos da mesmíssima cor e uma coleção de camisas xadrez, e no dia em que eu te vi pela primeira vez eu achei você esquisito, e te falei que eu bebia vodka pura, mas só em casos extremos como aquele, quando fazia muito frio.

Eu nem pensava em por você em palavras, até que um dia eu te vi de novo, e a gente se percebeu na mesma hora mas a gente não falou nada. E a gente riu, e se descobriu, e ficou de manhã, e no outro dia eu já tinha acordado com você na cabeça, mas meu coração é maluco e manda muito em mim. Aí eu te vi de novo, mas já não era você comigo. 

Eu não ia escrever sobre você, porque nem tem nome o que eu sinto. É vontade de estar perto, e de falar a toa e ficar rindo, e ouvir se você tem umas histórias engraçadas, e te contar uns casos que eu sei que você vai morrer de rir. Mas você não é só meu amigo e você sabe disso tanto quanto eu, e a gente alimenta essa história, mesmo sabendo que não dá. Agora já não sou eu com você.

Eu não ia contar que existiu um “nós dois” aqui, mas eu posso. Eu posso porque o meu coração é livre, porque eu lembro exatamente da luz que escapa da cortina e entra pela janela do seu quarto, e porque eu acho que eu combino muito mais com você do que qualquer pessoa. Sério, mesmo que a gente esteja em um lugar cheio de todos os tipos de pessoa, eu combino muito mais com você do que qualquer uma delas e ninguém  que vê a gente junto nunca cometeu o crime que seria dizer o contrário. 

Eu não ia escrever sobre você não, mas eu tenho essa mania.

Você me inspira, rapaz.

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