quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Diferente

Meu estômago tem reclamado. Acho que o viveiro de borboletas - que crio dentro dele há muito tempo - começou a incomodar. A verdade é essa: vivo construindo e demolindo as minhas fantasias, é um exercício quase que diário (e muitas vezes nada inteligente). Viver pra encontrar momentos ímpares, pessoas conexas, músicas certas e mensagens nas entrelinhas não é fácil. É árdua a tarefa de ser diretor e ator da sua própria peça. E olha que a bilheteria nem sempre é sucesso!

Ontem conversei com um amigo sobre a complexidade que reside em seres assim, que dedicam boa parte do seu tempo aos seus castelos. É intrigante (e cansativo) o fato de a gente sempre correr atrás daquela sensação que ninguém nunca experimentou, de querer sempre que a música toque na hora certa, e se ela toca, ah, então o cenário é certo, e lá vão as fantasias tomar ainda mais forma.
Eu já sofri muito por ser desse jeito. Já quis muito que o tempo voasse, e foi quando ele passou mais arrastado. Já quis escolher a trilha sonora perfeita, já quis entrar na mente de alguém só pra acelerar a descoberta dos mistérios que ela guardava, e acabei me frustrando por não descobrir mistério algum.

Mentira se eu disser que não faço isso até hoje. Que não construo meus mundos, que não sou habitante deles boa parte do tempo. Talvez seja alguém que mora dentro de mim e que me convida todos os dias pra fazer parte desse contexto maluco. Talvez essa incansável busca seja minha vontade me fazendo procurar situações, músicas e pessoas (pra dizer o mínimo) que sejam como eu, que vejam a vida com isso tudo que quase ninguém vê. E eu tenho orgulho de dizer que coleciono mais acertos que enganos: nessas minhas expedições, já achei muita gente pra vida inteira. Algumas que conheci ontem, outras tantas que ainda vejo e convivo, outras que não mais, e tudo bem, todas elas vão continuar sendo pra vida inteira, porque elas são parte do que eu tenho de melhor, elas têm carinho pelas minhas divagações, elas gostaram (e gostam) de viver o meu mundo.

O que sinto é que venho aprendendo a aceitar o fato de que essas buscas são só minhas, e de mais ninguém. E eu sou a única responsável por dar a dimensão que elas precisam ter.

De tudo isso, o que fica são dois florais e alguns vários cigarros por dia, muitos pensamentos emaranhados, uma dor no estômago e uma vontade de viver que não passam.

E tem alguma coisa que me diz que dessa vez é diferente.

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