Dia desses, às 3 da manhã, me peguei refletindo sobre como essa nossa geração dorme pouco.
Até hoje, (eu marmanja) as vezes deito com meu pai na cama dele. Ali é onde eu aprendo mais, é onde eu compartilho tudo, e é onde eu me sinto trocando o sapato apertado pelo chinelo, sabe essa sensação? Então, só ele me proporciona isso. E ele, que é geração X convicto, nesse dia falou algo que eu parei pra pensar: "Filha, já percebeu como tudo se tornou perecível? A vida ficou mais difícil de administrar!" Dito isso, ele voltou a ver os resultados da rodada no iPhone, a TV ligada na GloboNews, o notebook do lado e eu deitada no colo.
A realidade é que meu sábio pai X tem razão: tudo ficou muito perecível mesmo. O tempo, os espaços e as relações. E mais: ficou natural. Todos os dias quando acordo, vejo o aplicativo da meteorologia no BlackBerry, ao invés de simplesmente abrir minha janela. Tomo meu café rápido lendo os tweets dos meus amigos, e geralmente dou "bom dia". Saio de casa e twitto sobre o trânsito parado, sobre as pessoas com pressa, sobre as coisas na minha cabeça.
Fora essa dependência que o 3G me trouxe, eu sou um tanto conservadora. Acredito mais em sentar no bar pra falar da vida do que no MSN, apesar de estar online o tempo todo. Acredito mais em fotos reveladas do que em digitais, apesar do Facebook e do Orkut. E acredito mais nas relações que têm verdade, que têm pessoas inteiras, que sobrevivem à essa corrida em busca do amanhã, e do depois de amanhã, e do futuro que acontece todos os dias - e que, nessa onda, acaba passando despercebido.
A gente começa a ver o valor das coisas simples. Sentar com meu avô pra ouvir as histórias do impacto pós guerra em Santa Maria do Itabira, ouvir minha avó cantarolar as músicas do Nelson Gonçalves, lembrar dos tempos de colégio com os amigos, quando tudo ainda era (menos) acelerado.
Eu mando emails só com "Te Amo" pros meus amigos. Mas eu não perco nenhuma oportunidade de dizer isso olhando pra eles. E eu acho que é daí, do meio do caos, que a gente consegue voltar pro começo.
Ainda vou fazer o "dia sem BlackBerry", pra ver como me saio. Espero que eu sobreviva pra contar.
E eu tinha dúvidas sobre como escrever por extenso a letra "Y".
Aí o Google me ensinou.
É ISSO AE SENHORITA ÉRICA, VAMO PRO BAR BEBER E CONTAR DOS NOSSOS RESPECTIVOS DIAS CORRIDOS E DA VIDA...
ResponderExcluirBJAO!!!
DO SEU NOVO AMIGO E PROFETA THIAGO!!
Meu velho amigo, "vamos viver tudo que há pra viver!"
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